Cuidado com os óculos prontos!



Você já foi na farmácia e encontrou uma gôndola cheia de óculos com diversos graus? Ficou tentado em investir em tais produtos, já que costumam ser bem mais baratos que os óculos personalizados? Devemos fazer um alerta antes de comprá-los: você pode estar colocando sua acuidade visual em risco.
Muitas pessoas costumam usar óculos prontos pelos mais diversos motivos: o orçamento está apertado, ou os óculos personalizados quebraram e comprou um na farmácia para uso provisório (e que se tornou permanente) são as desculpas mais utilizadas. Mas o que muitos não sabem é que esses óculos apresentam graduações específicas que nem sempre correspondem às suas necessidades, e o paciente pode apresentar dores de cabeça e desconforto na região ocular por estarem utilizando graus mais fortes ou mais fracos do que realmente necessita.
Outro fator a ser visto é que nem todo mundo usa o mesmo grau em ambos os olhos, e os óculos prontos podem forçar um olho mais do que o outro, acarretando em uma complicação na acuidade visual, ou até mesmo aumento de grau.
Encontramos diversas diferenças entre os óculos prontos e os prescritos. Enquanto o primeiro apresenta distância pupilar padrão, o outro possui essa distância personalizada aos seus olhos, e isso vale também aos graus em cada lente. É muito comum também encontrar irregularidades nas superfícies das lentes prontas, que acarretam em um aumento ou surgimento do astigmatismo, como também pode agravar casos de presbiopia, por conta do grau aproximado ao que deve ser utilizado de fato. Fora a dificuldade em encontrar o foco durante uma leitura, diferente dos óculos personalizados, que oferecem conforto sem precisar ficar mudando as lentes de posição diante dos olhos.
Mas se eles causam tantos problemas, porque são comercializados? 
Os óculos prontos são vendidos para fins emergenciais. Somente. Mas para casos permanentes, a atenção deve ser redobrada. A única maneira garantida de corrigir refrações visuais é a prescrição médica adequada ao seu problema. Somente assim é possível ter o conforto e qualidade em algo tão especial e delicado que são os nossos olhos.

Os riscos da automedicação


Uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto de Pesquisa e Pós Graduação para Farmacêuticos (ICTQ) revelou um número bastante preocupante: cerca de 76% da população brasileira se automedica com indicações feitas por parentes, amigos e vizinhos. O estudo foi feito em 12 capitais brasileiras e somente em Brasília o número chega a 83% deste dado. Muitos destes remédios são destinados à visão, que usados de forma inadequada, podem levar a cegueira ou camuflar algum problema muito mais grave do que aparenta. 
A água boricada é um dos produtos mais utilizados de forma errada entre os pacientes. Muito utilizada para aliviar irritações nos olhos, pode agravar o problema e mascarar uma infecção muito mais séria, além de oferecer um alívio somente para o primeiro momento. 
Especialistas recomendam evitar até o uso do soro fisiológico e colírios sem prescrição, principalmente os adstringentes (que prometem deixar os olhos mais brancos). Casos de catarata já foram registrados pelo uso inadequado deste último produto. Dependendo do caso do usuário, o uso do colírio errado pode também trazer sérios problemas como o glaucoma, alteração da lágrima e ressecamento dos olhos.
Os incômodos apresentados pelo mal uso de tais medicamentos e produtos são: vermelhidão, ardência, visão turva, sensação de areia nos olhos e sensibilidade à luz. O uso deve ser interrompido imediatamente e um médico deverá ser consultado, para que seja possível dar início ao tratamento adequado a ser seguido, evitando assim problemas mais graves.
Outras precauções também podem ser tomadas para evitar possíveis irritações, como utilizar a dosagem certa de produto ou medição prescrita pelo médico, não encostar aplicadores de medicações nos olhos, não dividir o seu colírio com outras pessoas e principalmente, avisar o oftalmologista sobre qualquer incômodo adquirido após o uso de qualquer produto.



Medicação para combater deficit de atenção pode afetar a visão



Um estudo publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mostra que o metifenidato, medicamento usado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) teve 75% de alta em seu consumo entre os anos de 2009 e 2011. É com ele que a produção de dopamina no organismo aumenta e consequentemente, aumenta também a capacidade de concentração e motivação no desempenho escolar, por exemplo. Acontece que possivelmente as crianças que estão consumindo essa medicação estão sendo diagnosticadas erradas, pois as vezes a inquietação do aluno na sala de aula, na verdade, pode ser apenas por estar enxergando mal. Ou seja, um par de óculos poderia resolver o problema. 
Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Penido Burnier, realizada juntamente com professores da rede pública de ensino de Campinas. As 365 crianças que participaram do estudo e que começaram a usar óculos de grau melhoraram em 51,1% no seu desempenho com as atividades realizadas em sala de aula. Os alunos menos agitados após o uso dos óculos corresponderam a 36,2% e 57% apresentaram maior concentração. O dado mais preocupante é que somente 27,3% dos alunos que participaram do estudo e que usavam a medicação tinham de fato o TDAH.
Especialistas afirmam que o uso indiscriminado de metilfenidato pode causar hipermetropia acomodativa permanente, e faz com que a criança tenha dificuldade temporária em enxergar de perto. O medicamento dilata a pupila e o olho acaba perdendo a acomodação para perto, dificultando o foco em imagens próximas.
Por se tratar de um diagnóstico realizado precisamente no período escolar do paciente, a possibilidade da criança sofrer dificuldades durante as aulas e nas provas é grande. E para que isso não ocorra, atente-se aos sinais que o seu filho pode apresentar indiretamente, como esticar os braços para ler, ou até mesmo não demonstrar nenhum interesse pela leitura. Averigue com os professores se ele costuma sentar somente no fundo da sala de aula (pode ser um sinal de esforço para conseguir enxergar a lousa) e se ele força os olhos para ler, como se estivesse apertando-os. Caso ele apresente alguns desses sintomas, procure primeiro um oftalmologista para realizar um exame de vista antes de ir a um especialista de TDAH. 

Os efeitos colaterais da menopausa na visão



Não é só de ondas de calor, insônia e aumento da ansiedade que vive a mulher na menopausa. Muitos não sabem, mas alguns problemas relacionados à visão também podem surgir decorrentes à esta fase da vida. Já abordamos esse tema por aqui anteriormente mostrando os riscos à visão que a menopausa precoce proporciona, e hoje reforçaremos o assunto mostrando os efeitos para a melhor idade.
A síndrome de olho seco, sensibilidade à luz e coceira nos olhos são os sintomas mais comuns pois as mudanças hormonais podem alterar o filme lacrimal. Os efeitos podem ser minimizados com o uso de colírios específicos indicados por especialistas da área da saúde.
Falando em especialistas, é imprescindível o acompanhamento médico reforçado nesta fase da vida da mulher. Um oftalmologista pode evitar o desenvolvimento de uma doença muito pior: a catarata. Se por conta da idade a doença já é uma possibilidade, com a alteração hormonal é mais arriscado ainda. A alteração da célula do cristalino acontece na menopausa devido a interrupção da circulação do estrogênio, inibindo a produção da proteína necessária para combater naturalmente a doença. O tratamento ainda é controverso e divide opiniões dos médicos: uns acreditam que a reposição hormonal pode ajudar a evitar o desenvolvimento da doença, enquanto outros acreditam que a reposição hormonal aumenta em 18% o risco do desenvolvimento da catarata.
Mas, independente disso, o mais importante mesmo é se cuidar. Se atentar aos sintomas é primordial, como a perda discreta da qualidade visual, o desbotamento e embaçamento das cores, diminuição da acuidade visual noturna, focos de luzes ofuscantes, etc. Se houver mesmo que uma mínima dificuldade em assistir televisão ou ler um livro, por exemplo, é de suma importância procurar um oftalmologista. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maior a probabilidade dela ser aniquilada com 100% de sucesso.