UFMG desenvolve tecnologia para rastreamento da saúde ocular


Tecnologia inédita, que consiste em equipamento digital e metodologia para acompanhamento da saúde visual de crianças na escola, foi um dos temas em discussão, da última semana de julho deste ano, em eventos internacionais no campus Pampulha da UFMG.

Proposta pela equipe do professor Marcos Pinotti, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia da UFMG, a tecnologia, que já tem patente depositada, foi desenvolvida em parceria com a Fundação Hospital de Olhos, no Laboratório de Pesquisa Aplicada à Neurovisão (Lapan) da Escola de Engenharia, coordenado por Pinotti.

Segundo o pesquisador, a ideia é disponibilizar a baixo custo, método e aparelhos que permitam rastrear déficits de aprendizagem relacionados à visão. A inovação foi tema de palestras e discussões em dois eventos – o 7º Technology and Medical Sciences International (TMSI) e a 11ª Irlen Internacional Conference, realizados na Escola de Engenharia.

Triagem

Sistema completamente digital que pode substituir com vantagem os testes analógicos hoje disponíveis no mercado internacional, o objeto da pesquisa de Pinotti pode padronizar e realizar exames de triagem, além de identificar, monitorar e realizar intervenção precoce nos casos de déficit relacionado à aprendizagem.

Armazenados em banco de dados sediado no Lapan, o sistema também pode realizar a integração de informações médicas, como vacinação, peso e altura, que viabilizem relatórios de análises e estudos epidemiológicos com o objetivo de auxiliar a gestão das políticas municipais e estaduais.

Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Fundação Hospital de Olhos, dados dos ministérios da Saúde e da Educação revelam que 30% das crianças em idade escolar sofrem com problemas visuais que podem influenciar negativamente no processo de aprendizagem.

Entre os distúrbios de aprendizagem relacionado à visão estão a miopia, o astigmatismo, o estrabismo e a Síndrome de Irlen, que afeta 46% dos indivíduos com déficits específicos de aprendizagem e leitura e 33% dos casos de Transtorno de Déficit de Atenção e de Dislexia, mas ainda é pouco conhecida no Brasil e não é detectada por exames oftalmológicos de rotina. A pesquisadora Helen Irlen, responsável pelos primeiros estudos sobre o distúrbio que leva seu nome, é uma das participantes do 11ª Irlen Internacional Conference.

Mais informações sobre as pesquisas aqui.

Fonte: UFMG