Conhecendo mais sobre lentes de contato



O globo ocular é constituído por diversas estruturas, mas é na retina que estão os receptores fotossensínveis e a imagem se forma. Na parte anterior do olho, localizam-se a córnea (camada fina e transparente para permitir a passagem da luz), a íris (que funciona como o diafragma das máquinas fotográficas, abrindo ou fechando para regular a intensidade da luz que entra pela pupila) e o cristalino, lente que faz os raios luminosos incidirem na retina. Na imagem 1 , está representada em azul uma lente de contato colocada diretamente sobre a córnea.

São raras as pessoas que não apresentam um problema de visão no decorrer da vida. Algumas se adaptam perfeitamente bem ao uso dos óculos e não pensam em outra solução para enxergar melhor. Há aquelas, porém, que consideram os óculos um estorvo e procuram um modo de livrar-se deles, seja fazendo uma cirurgia ou usando lentes de contato que se tornaram muito populares com o aparecimento de lentes coloridas para modificarem a cor dos olhos. Como num passe de mágica, elas transformam olhos castanhos em azuis, olhos azuis em olhos pretos e estes, em castanhos. Para serem usadas, exigem cuidados especiais e a indicação precisa de um oftalmologista.

Tipos de Lentes de Contato

Há muito tempo, as lentes de contato estão no comércio. As primeiras que surgiram eram rígidas, difíceis de serem usadas pelo desconforto que provocavam. A descoberta de novos materiais para fabricá-las tornou-as mais confortáveis, mas seu uso requer cuidados e a orientação de um médico oftalmologista.
Atualmente, existem lentes de contato rígidas e gelatinosas. As rígidas são feitas de poliometilmetacrilato, mas existem também as fluorcarbonadas e as siliconadas. Estas, por serem menos rígidas, permitem maior permeabilidade ao oxigênio e são indicadas para corrigir defeitos visuais específicos.

As lentes rígidas podem  provocar muito lacrimejamento no começo, porque há um corpo estranho dentro dos olhos, gerando assim, o desconforto. A adaptação à lente gelatinosa é bem mais fácil, por conta do conforto. 

Indicações para uso

Existem outras opções eficazes e confortáveis que os óculos bifocais. Em alguns casos, conseguimos corrigir o defeito para perto num olho e o defeito para longe no outro olho, mas algumas pessoas não se adaptam a esse tipo de intervenção. A outra possibilidade é corrigir apenas a miopia com a lente de contato e a pessoa continuar usando óculos para a leitura. Parece estranho, mas a experiência mostra que é uma alternativa melhor do que a lente de contato bifocal para algumas pessoas, embora outras não se acostumem com ela.

A adaptação do cérebro não constitui um problema maior. No começo é mais difícil, mas mantendo o uso, ele se acomoda à nova situação.

Melhor opção

Existem situações em que as lentes de contato são a melhor indicação. É o caso da pessoa que faz cirurgia de catarata num dos olhos e não recebe o implante do cristalino. Como consequência, ela fica com 10 a 15 graus de hipermetropia no olho operado e, talvez, uma pequena alteração no outro olho. Se lhe receitarmos óculos com diferença de grau muito grande em cada lente, ela jamais conseguirá juntar as duas imagens no cérebro e as lentes de contato representarão apenas uma das soluções para o problema. A outra seria o implante do cristalino, se houver possibilidade de fazê-lo.

Limpeza das Lentes

Existem soluções indicadas para limpar cada tipo de lente, à venda nas farmácias, e elas devem ficar imersas nesses produtos durante toda a noite. Para as descartáveis que serão trocadas em quinze ou trinta dias, isso basta. Já as que vão ser usadas por um ano requerem cuidados especiais. Além de remover resíduos (cosméticos, secreções, etc.) que aderem às lentes, é preciso fazer a desproteinização, ou seja, retirar os depósitos de proteínas a cada sete ou quinze dias, conforme o tipo de lente.

Outra medida importante é limpar o estojo em que são guardadas e que precisa ser trocado a cada seis meses. Estudos apontam que complicações nos olhos, como úlceras de córnea ou infecções graves, foram causadas pelo micro-organismo presente no estojo em que era colocada a lente.

A lente não produz proteínas. É o olho que produz.  A lágrima faz com que as proteínas se depositem no olho e elas se fixam na lente. A limpeza diária com o produto vendido nas farmácias retira somente a oleosidade e os detritos poluentes. Os depósitos de proteínas têm de ser removidos utilizando uma substância especial.

Muitos usuários põem e tiram a lente sem tomar cuidados básicos com a higiene das mãos. Quem usa lentes precisa manter as unhas curtas, bem aparadas, lavar as mãos e jamais usar água da torneira para a limpeza da lente. A acantameba, um dos micro-organismos presente na água da torneira, provoca infecção muito grave nos usuários de lente de contato e pode levar à cegueira.

Esquema de troca ou custo

A lente “one day” deve ser trocada todos os dias, mas as pessoas acabam abusando e a usam por vários dias. Esse descuido é causa de muitas complicações. Os olhos apresentam alguns sintomas, indicando que há algo errado por ali. O uso da lente de contato não pode embaçar a visão, nem provocar lacrimejamento, vermelhidão ou outras alterações como coceira, ardor e secreção. Qualquer um desses sintomas é sinal de que o médico deve ser procurado com urgência.

Fonte: Dr. Dráuzio Varella