Como surgiram as lentes de contato?

Lentes de Contato: Por Da Vinci
Há muitos anos, precisamente em 1508, alguém conhecido como Leonardo da Vinci sugeriu aplicar uma lente diretamente na superfície dos olhos, na tentativa de corrigir problemas visuais. Com os seus estudos sobre a visão binocular, o movimento das pupilas, ótica oftálmica e a explicação da formação das imagens pelo olho ricamente ilustradas, Da Vinci possibilitou a posteridade a criação das lentes de contato. Somente três séculos depois que o plano foi executado, em 1887, por um fabricante de peças óticas chamado F. E Muller, com a ajuda de um médico da Suíça, Adolf Eugen Fick. Como o material era de vidro, a criação não fez muito sucesso porque era desconfortável e machucavam muito os olhos.

Adolf Fick
Neste meio tempo, várias pessoas estudaram uma forma de concretizar os planos de Da Vinci, como René Descartes, que propôs que era possível modificar a visão sobreposta aos olhos através de uma lente, representada por um tubo transparente com água, podendo ser escleral ou corneal. Já John Frederick W. Herschel executou as primeiras experiências práticas com 'ópticas de contato', utilizando um tupo de água de 5mm de diâmetro sobre uma lente, para corrigir ametropias.

Voltando ao F. C. Muller e Eugen Fick... Muller já fabricava próteses oculares na Alemanha no ano em que realizou os primeiros testes com lentes adaptadas no globo ocular, mas somente para proteger enfermidades nas pálpebras. No ano seguinte, Fick experimentos lentes para corrigir refrações, como astigmatismos irregulares. Mais um ano se passou e a correção de miopia com lentes de contato foi possível por causa do óptico Berlines Himmler, com a orientação de Augusto Muller, estudante da Universidade de Kiel.

Em 1892 tivemos nossas primeiras lentes de contato produzidas para o Dr. D.E. Sulzer, de Genebra, pela empresa Carlzeiss de Jena. A fabricação foi um sucesso, pois ajudou 3 pacientes com astigmatismo, miopia e ceratocone. Mas somente no século XX que tivemos os primeiros avanços na engenharia óptica. Em 1929, Dr. Dailos passou a adaptar lentes esclerais com moldes de olho, no mesmo momento em que começaram a fabricar moldes para produzir lentes de vidro soprado.

"Com o advento da fluoresceína  tornou-se muito mais prático avaliar a adaptação das lentes rígidas, ela foi usada pela primeira vez na lente de contato em 1938. Neste mesmo ano William Fleinboom sugere lentes plásticas esféricas e em 1945 publica vários artigos sobre essas lentes com sugestões de caixas de provas.
Daí para frente os aperfeiçoamentos nos desenhos e métodos de fabricação começam a acelerar, sendo que neste mesmo ano de 1935 Obrig de Novo lorque fez as lentes totalmente em plástico e em 1940 oferece em série para os ópticos especializados.
Em 1942 a Argentina inicia a fabricação de lentes escleros-corneais através de Klaus Pfortner e Juan Sais.
Norman Bier de Londres de 1943 introduz fenestrações na zona escleral para ventilação.
Com o advento do plástico para fabricação de lentes melhorou muito a aceitação do público, pois obtinha-se lentes mais leves e confortáveis, passando a evolução também a caminhar para diâmetros diferentes.
Kelivin M. Tucky em 1945 propõe lentes corneais com 11 mm de diâmetro. Wolk Kiel na Alemanha dá um posso importante com lentes de corneais com diâmetro entre 8 e 9,85mm. Dickinson (Inglaterra), Neill (E.U.A.) e Sonnges (Alemanha) projetam uma microlente que como principais vantagens tinha menor peso, espessura e diâmetro, o que melhorou significativamente a tolerância.
Um passo extremamente importante para a contatologia foi dado em 1960 com a divulgação dos trabalhos de Otto Wichterle de Praga sobre as lentes hidrofílicas feitas com copolímeros de hidroxietilmetacrilato (Hema), que permitia lentes elásticas, macias e hidratadas aumentando o conforto extraordinariamente."
(fonte: Solitica) 

Em 1971, a empresa Bausch & Lomb lançou uma lente de contato feito de um material gelatinoso e mais confortável aos olhos. Os modelos gelatinosos de lentes de contato são as mais usadas e recomendadas até hoje por profissionais da área. Hoje há mais de 125 milhões de usuários espalhados por todo o mundo, 3 milhões só no Brasil.