Monet e a catarata

Oscar Claude Monet (1840 - 1926) foi um conceituado pintor parisiense da era impressionista que agregou muito para a história da arte, não só pelas suas incríveis obras, como também pela forma que as executava. Sabe-se que o artista sofria de catarata e dizem que foi por conta da alta exposição ao sol quando pintava ao ar livre.

Os sintomas da doença começaram a aparecer aos 62 anos, porém o diagnóstico foi dado tardiamente 10 anos depois. Somente 11 anos mais tarde que Monet aceitou operar o olho direito, e infeliz com o resultado da cirurgia, não quis operar o outro olho, o qual estava tão afetado que o artista já não conseguia ver corretamente os tons de amarelo, violeta e azul.
Contudo, a catarata não o impediu de continuar trabalhando, muito pelo contrário. Muito antes de ser diagnosticado, Monet utilizava as lembranças de sua memória para pintar paisagens que já havia visto diversas vezes, mas com outras cores e detalhes, e como a luz o incomodava muito, executava os seus trabalhos somente por algumas horas do dia. Suas pinturas refletem claramente a influência da doença por conta da percepção de cores, como o branco, verde e azul começaram a mudar de tons, sendo substituídos pelo amarelo e pelo roxo em suas pinturas. As paletas mais utilizadas eram de laranja-vermelho para paisagens ao invés de um verde-azul.

O artigo Ophthalmology and Art: Simulation of Monet’s Cataracts and Degas’ Retinal Disease, publicado por Michael F. Marmor em 2006, mostra uma imagem pintada por Monet em várias vertentes:







A imagem A é a foto da paisagem nos dias atuais. A imagem B é a famosa pintura de Monet da ponte japonesa em 1899, sem catarata. As imagens C e D são uma simulação da visão de Monet com uma catarata média e com uma catarata avançada.
Abaixo, um exemplo gritante de sua obra feita em 1899 sem catarata, e a mesma realizada em 1918, já com a doença.