Tetris e a ambliopia

A ambliopia é um dos principais problemas de visão constatados durante a infância. Estima-se que 1 a cada 50 crianças possui a síndrome do olho preguiçoso, que ocorre quando um dos olhos não se desenvolve adequadamente, fazendo com que se movam de forma diferente um do outro. Se não tratado corretamente, a criança pode sofrer perda permanente da visão no olho mais fraco, por isso a importância de diagnosticar e tratar o mais rápido possível.

O tratamento utilizado para combater a ambliopia é cobrir o olho mais forte com um tapa-olho durante grande parte do dia e por alguns meses. Contudo, este método tem se tornado cada vez mais ineficaz entre as crianças, e não apresenta mais nenhum resultado entre os adultos.
Um grupo de especialistas da Universidade McGill, no Canadá, descobriu em um pequeno estudo que o jogo eletrônico Tetris, aquele que é necessário encaixar peças que se movem pela tela para adquirir pontos, pode treinar os dois olhos a trabalharem em conjunto. Dezoito voluntários adultos portadores da desordem foram testados.



A metade do grupo de pacientes utilizou durante os testes óculos especiais que permitiam que a pessoa enxergasse com um olho apenas as peças que caíam, e com o outro somente as peças que se acumulavam na base da tela do jogo. A outra metade do grupo jogou com o tapa-olho cobrindo o olho forte e também os óculos especiais. Depois de duas semanas de testes, os pacientes que utilizaram somente os óculos especiais apresentaram uma melhoria mais significativa do que o outro grupo, tanto na visão como na percepção de profundidade.

Robert Hess, responsável pelo estudo, afirma que o cérebro possui uma 'notável plasticidade', que pode ser a chave para o tratamento de alguns problemas em que a visão é perdida. O principal objetivo é melhorar a 'elasticidade cerebral' para que a ambliopia diminua, forçando os dois olhos a cooperar entre si, e aumentando o nível de adaptação do cérebro. Isso faz com que o olho fraco reaprenda a ver. 
O próximo passo é realizar os testes em crianças e trabalhar para que este método seja adotado como tratamento por toda a América do Norte, tendo em vista que o grupo constatou que o problema, na verdade está em ambos os olhos, e tampar um deles pode atrapalhar, ao invés de ajudar o olho mais fraco: "quando fazemos os dois olhos agirem em conjunto, notamos incremento na visão. É muito melhor do que tampar o olho, mais agradável, rápido e parece mais eficiente", concluiu Hess.