Segundo pesquisadores brasileiros, células-tronco podem curar doenças oculares

Ao longo dos anos, temos acompanhado pela imprensa os benefícios que as células-tronco podem trazer à saúde de muitas pessoas, oferecendo a cura pra diversas doenças que até então pareciam ser incuráveis. E os pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em conjunto com profissionais da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, são responsáveis por incluírem mais um item na lista de doenças que as células podem eliminar. 
implante realizado no olho de um rato (divulgação)
Ambas as equipes estão trabalhando em um projeto que está em fase de testes, e uma apresentação realizada na reunião anual da Federação de Sociedade de Biologia Experimental, em Caxambu, Minas Gerais, realizada no final de agosto de 2013, mostrou que a degeneração macular relacionada à idade e outras doenças que afetam a mácula poderão ser curadas por intermédio da terapia com as células tronco.
Os testes foram realizado em ratos e apresentaram resultados satisfatórios e otimistas. O pesquisador Rodrigo Brant, da UNIFESP, diz que o projeto entrou em uma nova fase, que será a primeira etapa de testes em humanos. Serão 15 voluntários que sofrem da doença participando de um dos primeiros estudos clínicos com células-tronco embrionárias no Brasil. 
O professor de oftalmologia da mesma universidade, Maurício Maia, um dos coordenadores brasileiros do projeto, diz que o intuito é fazer com que as células-tronco se diferenciem em um tipo de célula específica da retina. Elas são cultivadas em uma espécie de membrana fina e colocadas em uma posição alinhada dentro dos olhos. Feito o cultivo 'in vitro', uma cirurgia será realizada para inserir a membrana com as células EPR, diferenciadas no globo ocular do voluntário. Essas células serão responsáveis por repor as que se tornaram disfuncionais ou que morreram por conta da doença. 
Os testes realizados nos ratos (que foram geneticamente modificados para receber a doença a ser testada) mostraram que a experiência obteve uma linhagem celular estável, com baixo risco de formação de tumores, e desacelerou a degeneração da retina, mantendo a capacidade visual por mais tempo.
O alvo da pesquisa é a degeneração macular ligada à idade, especificamente. São 700 mil pacientes diagnosticados com o problema por ano apenas nos EUA, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Não há prazo para a conclusão do estudo, de acordo com os pesquisadores, que esclarecem ter dado o “primeiro passo”. “Estamos ainda distantes de algum tipo de técnica definitiva que possa ser usado na prática médica em hospitais. É importante que pacientes com tais problemas de visão estejam cientes”, disse Maia. “No entanto, há um futuro muito promissor.”

Infos: G1