Vasos sanguíneos aparentes nos olhos refletem saúde cerebral

Um estudo realizado por pesquisadores da Duke University, nos EUA aponta que a largura dos vasos sanguíneos da retina localizada atrás do olho pode indicar problemas cerebrais dos mais diversos tipos. Os pesquisadores examinaram cerca de mil pessoas nascidas entre abril de 1972 e março de 1973, em Dunedin, Nova Zelândia. 
Os resultados  publicados no Psychological Science em dezembro de 2013 mostraram que os voluntários pontuaram pouco em testes de inteligência, e tendem a ter maior risco de piores condições de saúde e vida útil mais curta, mas fatores como status socioeconômico e comportamentos de saúde não são plenamente responsáveis por essa relação. 

Com a ajuda de um teste oftalmológico, que consiste em utilizar imagens digitais da retina para obter uma janela para as condições vasculares do cérebro, o cientista Idan Shalev e seus colegas decidiram verificar se a inteligência pode servir como um marcador que indica a saúde cerebral, e especificamente a saúde do sistema de vasos sanguíneos que fornece oxigênio e nutrientes para o cérebro. Assim, seria possível investigar a possível ligação entre a inteligência e a saúde do cérebro.
Os resultados mostraram que a presença de vênulas retinianas maiores foi ligada a menores pontuações de QI aos 38 anos, mesmo depois que os pesquisadores avaliaram vários fatores de risco de saúde, estilo de vida e ambientais que podem ter desempenhado um papel, além de apresentarem evidências de déficits cognitivos em geral, com menor pontuação no teste, incluindo a compreensão verbal, raciocínio perceptual, memória de trabalho, função executiva e menor QI na infância.
“A imagem digital da retina é uma ferramenta que está sendo utilizada hoje principalmente por oftalmologistas para estudar doenças do olho. Mas nossos resultados iniciais indicam que ela pode ser um instrumento de investigação útil para os cientistas psicológicos que querem estudar a relação entre inteligência e saúde ao longo da vida”, afirma Shalev.
Os pesquisadores acreditam que este mapeamento dos vasos da retina podem colaborar para um melhor diagnóstico em tratamentos para aumentar o nível de oxigêncio cerebrais, evitando assim o agravamento de habilidades cognitivas relacionadas à idade.