A doença dos olhos dançantes

No começo do ano, a Britânica Nicola Oates relatou à BBC que seu filho Thomas, de apenas 8 anos, desenvolveu o hábito de virar a cabeça para direita, apontando o queixo para baixo quando tentava olhar para algo. Além disso, desde pequeno apresentava um comportamento desastrado. Com o passar do tempo, estes problemas foram se agravando cada vez mais, e Thomas passou a trombar nas paredes, móveis e pessoas quando andava. Logo, o movimento que fazia com a cabeça e outros tipos de comportamentos diferentes das outras crianças era uma forma que o menino encontrava para controlar a 'oscilação dos olhos', um sintoma muito comum em quem sofre de uma desordem incurável chamada nistagmo.
Popularmente conhecido como a doença dos olhos dançantes, o nistagmo faz com que os olhos apresente movimentos incontroláveis, e é responsável pelo surgimento de diversos outros problemas de visão com o passar do tempo. É descrita por especialistas como uma visão estroboscópica, dificultando a criança em ver objetos em movimento e reconhecer rostos com facilidade, afetando assim toda a sua vida, como na escola, no trabalho, nos relacionamentos com a família e amigos, não podem dirigir, etc. Uma a cada mil pessoas na Grã Bretanha são afetadas por esta doença.
Tais dificuldades apresentadas por quem sofre de nistagmo nem sempre são detectadas em exames de olhos tradicionais e quase nunca a extensão do problema é estudada.
Casos como o de Thomas surgem logo após o nascimento e quase nunca diagnosticados logo no início. Eles não são classificados como portadores de deficiência visual porque conseguem ler a tabela nos exames oftalmológicos, por exemplo. E para enxergarem adequadamente, é necessário o uso de luzes especiais e lentes para ajudá-los na leitura e outras atividades, entre outros aparelhos em lugares onde vivem para facilitar o deslocamento e o conforto.
Jay Self, pediatra oftalmológico no Hospital Geral de Southampton e palestrante em oftalmologia genética na Universidade de Southampton é um dos responsáveis pela análise de centenas de genes responsáveis pelo nistagmo. O cientista quer desenvolver um teste genético simples para crianças que apresentam tal comportamento para que o diagnóstico seja mais rápido e preciso, utilizando medidas visuais do mundo real ao invés de testes e tabelas tradicionais utilizadas em avaliações oftalmológicas. Assim, crianças que apresentarem nistagmo poderão receber tratamentos adequados e específico até mesmo na escola, com o apoio de professores qualificados que conheçam o problema a fundo, colaborando para que o desenvolvimento de cada uma seja tão ágil quanto as demais crianças da escola.
Atualmente, Thomas aguarda uma segunda operação na visão para melhorar sua qualidade visual. A primeira apresentou melhora, mas o garoto ainda vira a cabeça para ver onde está andando.