Cuidando da visão do bebê pt #1

Pode parecer difícil entender o que incomoda em nossos filhos quando bebês, já que eles ainda não sabem falar, mas basta entender alguns sinais para descobrir que alguma coisa está errada. Geralmente, tais sinais surgem com lágrimas, coceira, esbarrões nos móveis, os olhinhos sendo espremidos por causa da intolerância à luz... todos avisando que os olhos da criança não estão trabalhando como deveriam.
Como já sabemos, quando a criança nasce, tudo é um grande borrão aos seus olhos. Somente depois de 6 semanas que ela começará a ver alguns traços, e aos 3 meses, aprende a acompanhar objetos com os olhos. Na medida que vão crescendo, começam a ter noção das cores, da realidade como um todo, e qualquer dificuldade encontrada no decorrer desta evolução irá privá-lo de estimular seu desenvolvimento cerebral e da visão, comprometendo sua capacidade de coordenação motora e até condutas sociais e afetivas. 
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia registrou recentemente um número assustador: cerca de 33 mil crianças perdem a visão no Brasil, e geralmente metade dos casos poderiam ser prevenidos ou tratados. Por isso, é de suma importância atentar-se a saúde ocular do bebê no período de gestação até 1 ano e meio de idade, pois é exatamente nesta fase que o bebê formará seu sistema visual de forma correta ou não. 

Quais os riscos e como se precaver


Durante a gravidez, alguns micro-organismos adquiridos pela mãe podem causar toxoplasmose, rubéola e sífilis, doenças que afetam diretamente o sistema visual do feto. A melhor forma para evitar que a retina do bebê seja afetada é analisar o histórico da mãe, exames de sangue específicos e um pré natal adequado, possibilitando um diagnóstico preciso para medicá-la adequadamente.
Já casos de bebês prematuros necessitam de acompanhamento rigoroso, e até mesmo uma cirurgia, dependendo do caso, para reverter lesões em estágio inicial, pois sua vulnerabilidade compromete sua saúde em diversos aspectos, apresentando retinopatia da prematuridade e alteração nos vasos sanguíneos, consequente de descolamento da retina.
Um bebê saudável, nascido de parto normal deve receber uma aplicação de colírio de nitrato, prata ou iodopovidona assim que 'sai' de dentro de sua genitora, evitando assim a contaminação por gonococo, presentes no canal vaginal, causando conjuntivite grave.
abordamos aqui no blog uma vez a importância do teste do olhinho, um exame indolor que permite o especialista a perceber alterações no reflexo do bebê, possibilitando o diagnóstico precoce de doenças como catarata congênita, glaucoma ou retinoblastoma. Este exame é essencial e obrigatório em São Paulo e no Rio de Janeiro, pois somente um tratamento logo no início da doença pode evitar danos irreversíveis. Mesmo não apontando nenhum problema, o exame deve ser refeito de 3 em 3 meses, até certa idade, e depois de 1 em 1 ano.
A cirurgia corretiva para casos de catarata deve ser realizada logo cedo para que a deficiência não se instale de vez nos olhos da criança, assim como o tratamento a base de medicamentos nos casos de glaucoma e retinoblastoma. Quanto mais cedo, menor o risco de sequelas.
Voltando aos sinais dados pelo bebê, a falta de interesse pelo ambiente é um primeiro ponto a se observar. Lacrimejamento excessivo, vermelhidão nos olhinhos e intolerância à luz são fatores de alerta que o próprio corpo emana. Já os mais grandinhos costumam coçar muito os olhos, se aproximar demais de coisas que eles desejam observar, e principalmente, esbarrar com facilidade em móveis e pessoas acidentalmente. A cor dos olhos de seu filho nas fotografias também podem dizer muitas coisas, como já mencionamos neste post aqui, e qualquer normalidade suspeita deve ser relatada ao médico.
Por fim, outra deficiência que deve ser tratada precocemente é o estrabismo, tendo em vista que é algo difícil de ser corrigido quando a musculatura enrijece. A intervenção deve ser feita em 6 anos, com o uso de tampões  no olho sadio, prescritos pelos especialistas para incentivar o olho estrábico a ser exercitado.