Transplante de células-tronco embrionárias prometem recuperar a visão, aponta estudo

Um estudo publicado pela revista médica The Lancet mostrou que pacientes com doenças de alto risco nos olhos receberam transplante de células-tronco embrionárias para recuperar a visão. O resultado foi positivo e não apresentou efeitos adversos graves e comprovou que a técnica é eficaz, pois 10 a cada 18 pacientes apresentaram melhora significativa na visão geral e periférica.

Segundo Robert Lanza, cientista chefe da empresa americana de biotecnologia Advanced Cell Technology, coordenador e financiador do estudo, “as células-tronco embrionárias têm o potencial de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, mas o transplante delas era complicado pelo risco de problemas como rejeição do sistema imunológico”. 
Anteriormente, uma primeira etapa da pesquisa foi realizada, averiguando se haveria efeitos colaterais graves, como tumores. Já esta segunda fase contou com 18 adultos americanos que apresentavam dois tipos de degeneração macular e que receberam no olho afetado pela doença, injeções contendo de 50 mil a 150 mil células de pigmento do epitélio retinal derivados da células-troncos. O objetivo era constatar se este tipo de procedimento era seguro a longo prazo, e principalmente, se o sistema imunológico do paciente apresentaria rejeição, mas os resultados foram otimistas e mostraram que o tratamento não apresenta nenhum efeito negativo nos três anos consecutivos a operação.
Os dois tipos de degeneração macular estudadas foram a relacionada à idade e a distrofia Stargardt, principais causas de perda de visão entre idosos e adolescentes e que não possuem tratamentos eficazes nos dias atuais. De acordo com um dos autores do estudo, o pesquisador do Instituto dos Olhos Jules Stein, Steven Schwartz, “o estudo sugere que a técnica é segura e potencialmente eficaz em alterar a perda de visão progressiva em pessoas com doenças degenerativas dos olhos. Além disso, a pesquisa dá um passo importante em direção ao uso do tratamento em diversas doenças cujo tratamento requer reparação ou substituição de células”.
O próximo passo é aplicar o estudo em grande escala, contando com a participação de 100 pacientes na próxima pesquisa, para comprovar a eficácia do tratamento.