A visão durante a gravidez

Um estudo realizado recentemente na Turquia aponta que a ceratocone é um dos principais distúrbios oculares sofridos pela mulher durante a gestação. As alterações hormonais neste período acabam não só o afinando e deformando a córnea, como pode provocar também outras doenças oculares, como a síndrome do olho seco, visão desfocada e a oscilação de refração temporária, relacionadas à retenção de liquido.

Algumas precauções podem ser tomadas caso a gravidez seja planejada, como a aplicação de crosslink na córnea antes da gravidez, para fortalecer as fibras de colágeno que evitam a evolução do ceratocone.  No caso da alteração de grau temporária, novos graus de óculos ou lentes de contato são indicados, caso a visão seja comprometida nas atividades de rotina, pois a cirurgia refrativa é contra-indicada durante a gestação.

O ressecamento dos olhos, provocado pelo excesso de produção de estrogênio na gravidez desencadeia a intolerância às lentes de contato, e o uso de lágrimas artificiais sem conservantes costumam ser recomendados pelos médicos que acompanham toda a gestação da futura mamãe. Deve-se também evitar o consumo excessivo de carboidratos, carne bovina e gordura, substituindo-os por frutas, verduras, semente de linhaça, sardinha e salmão, entre outros alimentos ricos em ômega 3.
Outro fator que deve ser acompanhado de perto por um especialista é o surgimento da hipertensão gestacional, desenvolvido principalmente por mulheres com mais de 40 anos, pois a velocidade do fluxo sanguíneo nos olhos pode atingir níveis preocupantes. A doença pode aparecer depois da vigésima semana de gravidez e o principal sintoma é a eliminação de proteína pela urina, manchas, pontos escuros na visão e inchaço generalizado, podendo levar até a morte. O dopplerfluxometria, exame muito parecido com o ultrassom, pode antecipar o diagnóstico, evitando assim não só a hipertensão gestacional, como também a pré-eclâmpsia.
Por fim, cerca de 7% das gestantes também adquirem diabetes gestacional na vigésima-quarta semana da gestação, provocada pelo aumento da produção de hormônio lactogênio placentário, responsável por inibir a produção de insulina pelo pâncreas. Para evitar a doença, é necessário adotar uma dieta rica em proteínas, com uma quantidade mínima de açúcar e carboidratos, pois apesar de desaparecer após o parto, quando não controlada, pode levar a diversas outras enfermidades, como hemorragia vítrea com obstrução visual e descolamento da retina sinalizado pela visão de flashes ou glaucoma neovascular que levam a súbita perda da visão, causado pelo crescimento de vasos na íris. Exames realizados a partir da décima segunda semana de gestação em pessoas que apresentam as características que denominam um grupo de risco também podem evitar o surgimento das diabetes gestacional, tais como hipertensão arterial, baixa estatura, sobrepeso e gordura abdominal, crescimento lento ou excessivo do feto, possuir mais de 25 anos, ter histórico familiar de diabetes e aumento excessivo de peso na gestação.