Falta de sono e estresse - os vilões da visão

Um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que 4 a cada 10 pessoas no mundo sofrem de distúrbios do sono, e os brasileiros também estão inclusos nesta estatística, pois 69% da população entre 20 e 60 anos sofrem de insônia. Esta disfunção do organismo pode acarretar em graves doenças oculares.


O hábito de dormir menos que 8 horas diárias como recomendado, eleva o risco de alterações vasculares na retina, e consequentemente leva a perda definitiva da visão. Isso deve-se ao fato de que a nossa vida depende de luz reguladora de nossas funções biológicas no período de um dia, logo, a falta de sono colabora para o surgimento de diabetes, doenças cardíacas, obesidade e degenerações nos vasos sanguíneos do fundo do olho.

Quem mais sofre de insônia são as mulheres. Os distúrbios hormonais, presentes especialmente no período de tensão pré menstrual (TPM), menstruação, climatérico e menopausa, são os principais causadores deste mal, e um relatório publicado recentemente pela Sociedade de Pesquisa em Saúde da Mulher (EUA) sugere à comunidade científica o desenvolvimento de estudos da higiene do sono abordando as diferenças entre os sexos. Os hormônios sexuais que fazem dos distúrbios do sono serem mais frequentes na população feminina também respondem pela maior incidência de olho seco, glaucoma e da catarata prematura nas mulheres que entram na menopausa precocemente.

Já a conjuntivite alérgica está relacionada ao distúrbio do sono, independentemente do sexo. Quem dorme pouco compromete a imunidade, dificultando o organismo a combater infecções e libera de forma exagerada os hormônios do estresse, como o cortisol e adrenalina. Isso faz com que a produção de radicais livres aumente e favoreça também o surgimento da catarata.

A melhor maneira de evitar tais riscos aos olhos é a prevenção. Algumas alterações na dieta podem minimizar os efeitos do estresse e oferecer um sono de qualidade, como adotar alimentos ricos em vitamina C (goiaba, acerola e laranja). Eles corroboram na produção moderada de cortisol e protegem os olhos dos radicais livres da catarata. O ômega 3, presente em peixes de água fria, como o salmão e a sardinha, assim como a linhaça, também ajudam a equilibrar a lubrificação ocular e previnem a degeneração macular. O selênio presente na castanha do Pará protege os olhos e combate a depressão, assim como o espinafre e o brócolis, que também são benéficos a retina. Alguns alimentos e atividades devem ser evitados a noite, como ingerir café, doces e gorduras e o uso de computadores, tablets e smartphones, pois estimulam o nosso organismo a se manter 'mais ligado'