Medicação para combater deficit de atenção pode afetar a visão



Um estudo publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mostra que o metifenidato, medicamento usado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) teve 75% de alta em seu consumo entre os anos de 2009 e 2011. É com ele que a produção de dopamina no organismo aumenta e consequentemente, aumenta também a capacidade de concentração e motivação no desempenho escolar, por exemplo. Acontece que possivelmente as crianças que estão consumindo essa medicação estão sendo diagnosticadas erradas, pois as vezes a inquietação do aluno na sala de aula, na verdade, pode ser apenas por estar enxergando mal. Ou seja, um par de óculos poderia resolver o problema. 
Isso é o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Penido Burnier, realizada juntamente com professores da rede pública de ensino de Campinas. As 365 crianças que participaram do estudo e que começaram a usar óculos de grau melhoraram em 51,1% no seu desempenho com as atividades realizadas em sala de aula. Os alunos menos agitados após o uso dos óculos corresponderam a 36,2% e 57% apresentaram maior concentração. O dado mais preocupante é que somente 27,3% dos alunos que participaram do estudo e que usavam a medicação tinham de fato o TDAH.
Especialistas afirmam que o uso indiscriminado de metilfenidato pode causar hipermetropia acomodativa permanente, e faz com que a criança tenha dificuldade temporária em enxergar de perto. O medicamento dilata a pupila e o olho acaba perdendo a acomodação para perto, dificultando o foco em imagens próximas.
Por se tratar de um diagnóstico realizado precisamente no período escolar do paciente, a possibilidade da criança sofrer dificuldades durante as aulas e nas provas é grande. E para que isso não ocorra, atente-se aos sinais que o seu filho pode apresentar indiretamente, como esticar os braços para ler, ou até mesmo não demonstrar nenhum interesse pela leitura. Averigue com os professores se ele costuma sentar somente no fundo da sala de aula (pode ser um sinal de esforço para conseguir enxergar a lousa) e se ele força os olhos para ler, como se estivesse apertando-os. Caso ele apresente alguns desses sintomas, procure primeiro um oftalmologista para realizar um exame de vista antes de ir a um especialista de TDAH.